segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A culpa! A filha da puta da culpa!

Quem acompanha o que escrevo sabe que, ultimamente, pelos motivos mais que óbvios, a actividade aqui no blogue tem estado meia paradinha.
Escreve-se umas larachas nas páginas das redes sociais e pouco mais. Não por não haver o que dizer (muito, mesmo muito pelo contrário) mas por já estar naquela fase em que seria capaz de ficar um mês sem fazer um cacete que nem iria dar conta que ele tinha passado!

O meu amor maior está, efectivamente, cada vez maior!
Linda, inteligente, desenrascada, divertida, esperta e tudo aquilo que deixa os pais cheios de orgulho, achando, por breves segundos, que só a nossa é que faz certas coisas, diz certas coisas e age de determinada forma!
Por mais que não seja porque a nossa é nossa e só (e chega) por isso mesmo é infinitamente mais especial!

Mas, no meio de todo este amor e sentimentos avassaladores, existe um filha da puta que nos deixa a todas capazes de chorar baixinho, com nós na garganta e os olhos cheios de lágrimas!
Senhoras e senhores, a culpa!

Muito já se escreveu sobre este assunto e julgo ser realista o suficiente para afirmar que todas nós já passamos por isto!

E esta merda processa-se mais ou menos assim:

1) Todos os dias levamos os miúdos para a escola, porque temos de ir trabalhar, e como ainda ninguém trabalha porque não tem mais nada para fazer, assumo que o trabalho seja uma obrigação e como obrigação que é está mais do que certo deixar a miúda todo o dia na escola! Portanto lá fica ela e eu venho trabalhar, tranquila, porque até sei que ela está super bem entregue. Não há stresses, não há lágrimas!

2) Verão. Aquela festa super curtida que gostava tantoooo de ir! Posso deixar a miúda com a avó ou com o tio ou até mesmo na ama (sei que ela fica lá tão bem).
Oh afinal também tenho direito à vida! Possa, já há tanto tempo que não saio! Tenho tantas saudades de ir abanar a peida!

E pronto, é isto! A primeira coisa que o nosso cérebro faz é começar a justificar o porquê de nos querermos divertir! Porquê senhores, porquê?
Isto a bem dizer é uma grandessíssima cagada, ou seja, se for para a malta esfolar o couro a trabalhar está tudo impecável, se for para nos divertirmos um bocadinho já estamos a arrancar cabelos, questionar se somos boas mães e se a miúda vai sentir a nossa falta!

E nem vale a pena começarem com os testemunhos do que isso a mim não me afeta, bréu, bréu, bréu, pardais ao ninho, porque, minhas amigas, se ainda não vos afectou, tarde ou cedo irá afectar!

Eu já era a Susana, a mulher, a namorada, a filha e a amiga antes de ser mãe e esforço-me todos os dias para ter isso bem presente na minha mente e na minha vida!
Lá muito esporadicamente, naquela fase em que estou quase a dar em doida com a rotina de ter um bebé em casa, vou sair, vou beber café, vou à praia...sem ela.
Vou com as minhas amigas, com a minha mãe, com o pai da criança!
Sim, vou com o coração nas mãos porque a filha da puta da culpa está lá, quer queiramos, quer não, porque nos impigem isso todos os dias como se de um mandamento se tratasse, porque mãe não é mãe a não ser que se esfole para fazer tudo (e só) em prol dos filhos, porque mãe deixou de ter vida para além desta assim que a cria nasceu; como se todas as noites em claro, as olheiras, as mamas feitas em frangalhos, os quilos a mais, as cicatrizes, o sono, as birras deles, as dores deles que são sempre nossas, as febres, as consultas, as preocupações e sempre, sempre o infinito amor não justificassem que somos mães e somos e seremos sempre as melhores mães para os nossos filhos.

Ainda não passamos por gerações suficientes para deixarmos esta ideia pré-concebida pelas nossas bisavós para trás, mas por isso mesmo eu vou, vou à praia, ao café, vou abanar a peida, porque um dia quero que a minha filha saiba que nunca nada nem ninguém será mais importante na minha vida que ela, mas faço-o para que perceba que não terá que pôr em causa o amor que sinto por ela por eu também querer ser a Susana.

Mães infelizes nunca educarão crianças felizes!





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